Ainda não foi citado no blog, mas... Estou num coro.
Mais do que estar nele, sou regente do coro. Uma bem leiga, pra falar a verdade, mas eu faço o meu melhor. Comecei a ter aulas de regência com a Mara, ex-regente do paulistano, e regente eterna do Coral Infanto-Juvenil da Escola Municipal de Música, do qual eu participava até o semestre passado. Mas claro que deixando o coro, tive que deixar as aulas de regência também. Resumindo, eu tive uma ou duas aulas no máximo. Eu sinto muita, muita falta daquele coro. Assim que terminar o técnico, eu volto.
Enfim... Desde o começo do ano passado, existe o grupo coral Jivas da Música, um grupo de jovens da Eubiose, e até o começo desse ano, eu atuava nele como pianista, simplesmente. Porém o antigo regente, Tiaggo Guimarães, arrumou um emprego fixo (que paga, diferente deste trabalho), que incluía os horários dos nossos ensaios, e então... Com entendimento de música, sobraram eu e minha irmã, que é cantora. Com mínimo entendimento do que é regência, sobrou eu.
Resultado: Virei regente, e minha irmã virou professora de técnica vocal.
No primeiro semestre, houveram três ensaios no máximo. No segundo, resolvemos - o grupo - assumir esse coro direito, e levar ele a sério. Às vezes ensaiávamos no sábado E no domingo.
Recentemente a coordenadora do trabalho, Neusa Rodrigues, nos informou de uma possível apresentação no dia 19 de dezembro. "Certo, vamos ver a disponibilidade do coro". O Jivas da Música é formado no total, por nove pessoas. No dia 19... Apenas cinco poderiam estar presentes. "Desculpa, Neusa. Não tem coro pra cantar, a apresentação é inviável".
Depois de muitas conversas, algumas intrigas implícitas - nas quais eu não estou presente - e alguma insistência, resolvemos (eu e minha mãe, que também faz parte do grupo... de certa forma), consultar o coro novamente. Resultado: Vamos fazer uma apresentação sem a metade do coro. Incluindo, contra os meus princípios, uma peça tocada por mim no piano, e uma cantada pela Dessa (eu de co-repetidora).
Contra os meus princípios porque não gosto da idéia de aparecer demais, principalmente quando sou a regente do coro. Me parece que estou roubando espaço dos cantores. E na verdade estou. Contra a minha vontade. Mas não temos muito repertório. Mas o repertório que temos, está ficando muito bom. E no fim, é mesmo muito importante encerrarmos o ano, mostrando o que realizamos durante ele. E vai ser bonito, apesar de faltar metade do coro. Ainda temos que correr um pouco com os ensaios. Nesta quarta, marcamos o último deles antes do geral, que vai ser dia 18. Espero que tudo acabe bem.
Esse grupo foi imensamente importante pra mim esse ano.
Eu aprendi que, pra ser regente, você não pode ter medo de pessoas olhando pra você, você precisa querer chamar a atenção, e esquecer que antes você deixava passar os erros, deixava passar alguns detalhes que ninguém mais notava, que antes você tinha uma opinião mas preferia que os outros decidissem por você, e deixava a música tomar um rumo qualquer. Que você não queria que ninguém te visse, ou que ninguém escutasse sua voz, ou seus pensamentos. Que seus erros não tinham consequencias, e eram problema de um outro regente. Não é um trabalho para tímidos (sim, como eu).
Pensar em soluções, dar exemplos, guiar, ficar de olho no relógio, pedir, e receber uma resposta. Saber obter uma resposta. É tudo muito novo. Muito prazeroso. Descobrir aos poucos onde estão as dificuldades, como é melhor resolvê-las. Quando é melhor não tentar resolvê-las. Descobrir a sensação de abaixar o braço e receber o som como resposta. Abaixar como, pra receber que tipo de som. Ah... Eu tenho tanto a aprender. E eu quero muito, muito aprender.
É tão diferente... Escutar o seu naipe, cantar sua linha e se concentrar só nela, de... Ouvir uma massa de som que se molda ao gesto. Ou não. Mesmo quando não - que por enquanto ainda é a maior parte das vezes -, é aprendizado, amadurecimento.
Sim, me arrependi de ter prestado arquitetura na USP e na UNESP. Se eu não passar, ano que vem estarei me preparando para uma prova de regência. Só não tenho muita ideia de como.
Mas terei.
Consciência à humanidade.
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